Escritor Manco
- Rodrigo Ramos
- 22 de ago.
- 5 min de leitura

Existem vários textos que fiz e não mostro, várias músicas que saíram de mim e eu não gravei, que eu esqueci, várias, a maioria sem dúvida nenhuma. Antes eu ganhava dinheiro escrevendo, era escritor fantasma, gosto disso, de ninguém saber onde estou. Escrevia sobre qualquer coisa, era só botar dinheiro no meu bolso que eu não queria saber de autoria, foda-se, porra nenhuma, era dinheiro que eu precisava, pra pagar conta, pra comer, pra tomar uma e esquecer do tema que eu tinha escrito. Eu já fui perito em Adicional Noturno, em Gestão de Pessoas, Gestão Fiscal, já escrevi livro sobre paleolítico, sobre Reforma Trabalhista, sobre Vargas, escrevia artigo pra academia só pra ganhar dinheiro, implorava para os Professores me liberarem a bolsa! Tinha um professor filho da puta, ele era tão cretino, que fazia a parada como se fosse uma entrevista de emprego, mandava a gente escrever uma carta dizendo pra ele o motivo pra ser escolhido e depois fazia uma entrevista, sabe pra quê? Pra gente escrever sobre bicicleta, sobre trem, já não me bastava ter que pegar o trem, o psicopata queria que a gente estudasse aquilo... Beleza, tá certo, alguém tem que estudar a mobilidade urbana, mas fazer uma seleção pra pessoa ganhar quinhentos dinheiros por mês pra escrever um artigo de 20 páginas, durava um ano a bolsa, enfim, era muita humilhação! Eu acho.
Bom, eu escrevia sobre qualquer coisa, lembro de escrever um artigo falando mal do Nikolas Ferreira, da Carla Zambelli, num texto sobre Marketing Político, numa época que o menino tinha 16 mil seguidores e a espanhola era uma obsessão fetichista da direita brasileira. Eu já achava esse pessoal muito louco. Lembro de um Professor, esse era bom mesmo! Titular da porra do curso, era o pirulitão da faculdade, ele disse assim: Bolsonaro, esse daí não ganha a eleição não! Ele é um outsider, as pessoas vão enxergar! Eu levantava a mão, passando mal, desesperadamente, eu dizia, mas meu Deus do céu Professor, o senhor não tá veno não? Ele tem muita chance! Alcance, notoriedade, palco. Esse negócio de falar mal dos PT tá na moda, galera não tá entendendo o que tá fazeno, PROFESSOR... Juro que eu disse! Queria dizer que saporra ia dar merda. E deu!
Foram os piores anos da minha vida, eu fiquei mais doente do que eu sou, ma-lu-co, na pandemia eu sofria tanto, que chorava toda hora, ia lavar louça, chorava, ia buscar a ex-esposa NO TRABALHO (o chefe filho duma puta não deu Home Office pra ela a pandemia toda, só no primeiro mês), chorava, trocava o encanamento da pia, chorava, assistia jornal e via aquele alucinado na presidência, chorava... A melhor parte foi não precisar pegar o trem pra ir pra faculdade e ter aulas online, apesar de que, sentia muita falta dos colegas, da atmosfera da Universidade, eu fiz USP, daí era da hora pô, de graça, ir no C.A, pagar de pimposo, tocar violão, é uma coisa inexplicável, só vivendo mesmo, ver a cara daquela molecada boa, playboy ou não, na verdade, tinha de tudo, era só você escolher ali com quem queria andar... Então, ter aulas online era mais fácil! Peguei pra ler livros clássicos, coisa que eu acho que nunca mais vou fazer na minha vida, eu tava consciente de que ali era a minha chance, mas, no fundo, era deprimente e meu casamento estava acabando, porque eu sou um ser humano intragável, cheio de adicções e meu ego é um inferno, com duas taças de vinho eu me acho, foi preciso me foder muito pra mudar isso, foi me achando que a mina disse: pois é cara, acabou faz tempo! Ela me chamou de cara. Pô, cara! Te considero pacas, eu disse... Mentira, eu não disse isso, eu tive um frio na espinha que gelou minha vida por meses depois, no entanto, eu tava vivendo uma das melhores fases da minha vida, só não sabia, mas divorciar foi maravilhoso. Errado foi ficar tentando casar outra vez.
Romances são legais, eu devo admitir, mas pra pessoas como eu, eles sempre dão merda! Não é porque eu quero! Já tive que terminar relações por razões que renderiam um livro excelente, como o da novinha LINDA que acumulava DSTs sem saber! A outra gatíssima que recebia a pombagira de madrugada e tinha bafo de peixe, era horrível... A Suicide Girl que era realmente muito afortunada de beleza, mas eu não conseguia fazer um rolê com ela sem que ela beijasse alguma mina, ou seja, eu levava umas galhas e tinha que conter as confusões que ela arrumava. A mulher que era a de fé, cheirou pó colombiano, foi comigo pra festinha, me deixou lá sozinho e saiu de mão dada com outro cara, entrou no carro e tudo mais, depois disse que me amava, não deu pra continuar, né? A mina que me chamou de agressor depois de ser filmada me dando cabeçada, tapa na cara, caindo da escada e fazendo merda no condomínio! Porra, eu a achava mor legal... Foda! A mina que não disse que era soropositivo, olha, tudo bem! Não tenho preconceito, sei que tem remédios pra pessoa ser indetectável e esse assunto é sério, a pessoa NÃO TE PASSA, preconceito tem que acabar, mas ela podia ter me contado, só que não, ela contou que me traiu e que eu era muito doido, terminei! Já chega de polêmicas, também tive pessoas maravilhosas que passaram por minha vida, uma inesquecível que terminou comigo dizendo que me amava, disse que foi muito bom, ela era gente boa, artista, Professora, aliás, fiz um som bem foda pra ela, que nunca gravei, enfim, ela teve uma intuição certeira, eu é que não tava entendendo direito o que eu era, o que eu sou.
Já percebeu que essa pergunta sempre acaba aparecendo na gente e em todo lugar e toda hora? Quem eu sou?
Eu nunca tive certeza de quem eu sou, não desacredito nas pessoas que tem convicção, mas eu desconfio demais, porque saber quem é você não cabe a você, porque você não sabe de onde veio e pra onde vai, porque ninguém nunca soube e nunca saberá, você não é seu, vocé é da natureza. Essa é a nossa sina, então se alguém sabe o que é, parabéns, mas acredito que é uma construção egóica, no sentido de construir um EU, sabe? Tipo: eu sou assim porque me disseram que eu fiz isso e eu sinto uma coisa dentro do meu coração toda vez que eu vejo tal situação acontecendo, meu signo é de câncer, então eu sou um tremendo feladaputa, Shiryu meu filho, é o Mascara da Morte... Essas coisas, na moral, a gente não deve nem saber mesmo o que a gente é, isso é proibido, meu velho, minha camarada, tem muita coisa que a gente esquece de propósito que é pra não ter perigo de ferir a alma.
Acontece que eu não sou santo. E eu me envolvi com muita gente barra pesada, por consideração mesmo, por achar que podia. Ficou uma parada em mim por causa disso, tem trauma que a gente não esquece, ele fica lá, né? Por outro lado, deve ter muita gente que pensa isso de mim. Sei lá, tipo: me envolvi com aquele esquerdista, macho tóxico, que me desgraçou a mente! Ou então: Aquele fulaninho, neguin forgado, energia do mal. Adoro essas pessoas que falam de energia, acredito nelas... Faz sentido. A gente não é tudo que falam da gente, não mesmo, mas a gente também não é uma coisa, só porque tá autoafirmando que é.



Comentários