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  • Foto do escritor: Rodrigo Ramos
    Rodrigo Ramos
  • 28 de jan.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 28 de jan.

Gerada por IA

Tô com uma tosse entalada. Eu falo, até que bastante pro meu gosto, é claro que, não falo tudo que quero, mesmo porque isso seria uma idiotice... Tô pensando muito no cachorro que maltrataram, mataram o bichinho, atroz! Mas, a gente vai na churrascaria, compra bacon no mercado, sem o menor pudor... Queria me pronunciar sobre isso, porque dizem que o jeito que a gente trata os bicho é um reflexo de como a gente trata as pessoas. Galera! A gente come os bicho, devora tudo. A gente enjaula eles, deixa bem gordo e mata em série.


Você deve tá me entendendo, mas sei que não importa! Veja, o bacon não é carne, não é animal, não é morte, é sabor, é marca, é estética, é embalagem, é meme, é emoji! O porco já não importa mais! O difícil de entender é que ninguém está enganando ninguém, é que o porco simplesmente não faz mais parte do sistema de sentido. Ele virou irrelevante! Isso é mais real que o real. Isso é hiper-realidade.


O cara que sacou isso pela primeira vez foi um sujeito chamado Jean Baudrillard, em 1981.


Mas, acredito, que você deva ter percebido o tamanho da nossa loucura.


Na política isso vira linguagem que gira sobre si mesma. Por exemplo, um governante não precisa governar realmente, ele precisa fazer política, falar todo dia, gerar conflito, ocupar o noticiário, produzir sensação de ação, assim ele governa! Resolver problemas estruturais? Não precisa! Melhorar alguma coisa material? Sei lá, bolacha recheada no meu armário! Isso também não é necessário! Porque o sistema não cobra consequência real, só narrativa.


E o pior é que isso é maior do que a própria realidade, como no lance do porco, ninguém pergunta se o que o político fala é verdade! Que se foda a verdade! Ninguém espera ela de um político, a encenação é o fundamento da coisa.


Sinto que na minha vida pessoal algo assim aconteceu, ninguém mais quer saber da verdade! O espetáculo que acontece envolvendo meu nome, é muito mais interessante do que a real. Tô me sentindo entalado, numa tosse seca miserável...



 


1.     A Chegada da Maconha ao Brasil

 

A maconha, especificamente o uso fumado da planta, chegou ao Brasil majoritariamente pela diáspora africana. Povos escravizados da África Ocidental, como angolanos e congoleses, já utilizavam a cannabis há séculos em contextos medicinais, rituais e recreativos. Ao serem traficados para o Brasil, trouxeram consigo este conhecimento e prática. Esse uso era geralmente realizado em cachimbos ou pequenas brasas.

Enquanto isso, da Europa vinha outro tipo de cannabis: o cânhamo industrial, cultivado pela Coroa Portuguesa para a produção de cordas, tecidos grossos e velas de navio. Ou seja, conviviam no Brasil duas formas distintas de uso: a fibra industrial europeia e o uso fumado africano. Então essa diferença é cristalina, o povo já sabia que o reggae ia dar bom! O colonizador só queria saber mesmo é de dominar, amarrar, matar e por aí vai...

 

2.     Por Que o Brasil Passou a Perseguir a Maconha?

 

A primeira lei conhecida no Brasil proibindo a maconha é de 1830, no Rio de Janeiro, sancionada pela Câmara Municipal. Ela dizia: “É proibido vender ou dar maconha aos escravos”.

Esta legislação demonstra claramente que o alvo era a população negra escravizada, e não a substância em si. O objetivo era controlar comportamentos e punir socialmente grupos já marginalizados. Assim, o estigma da maconha no Brasil nasce de uma raiz abertamente racista. Na verdade, a certidão de nascimento do Brasil é abertamente racista, é um país publicamente nocivo ao povo negro, 35% da população escravizada na África veio para cá. Não há parâmetros para dimensionar outros lugares do mundo tão, notavelmente, mortais ao negro quanto o nosso: o famoso NECROESTADO BRASILEIRO. Não! Isso não aconteceu no mundo todo, aconteceu aqui!

 

3.     Por Que a Maconha Virou 'Perigosa'?

 

A cannabis passou a ser associada, no imaginário social, a pessoas pobres, negras, marinheiros, trabalhadores braçais e comunidades quilombolas. Em contrapartida, quando a elite utilizava derivados da planta, geralmente em farmácias, como tinturas ou extratos, o uso era considerado medicinal e respeitável.

O estigma, portanto, não tinha relação com os efeitos da planta, mas com quem a utilizava. É muito simples entender isso! O que diziam? Isso daí é coisa de negrinho! A frase parece engraçada pra milico, mas ela é bastante simbólica.

 

4.     A Influência dos Estados Unidos no Proibicionismo

 

A política proibicionista moderna que depois se espalhou pelo mundo (incluindo o Brasil) nasceu nos Estados Unidos entre o final do século XIX e início do XX. O uso da cannabis era comum entre imigrantes mexicanos, que chamavam a planta de 'marijuana'. Campanhas xenofóbicas associavam esses imigrantes a criminalidade e violência, criando um pânico moral.

Henry Anslinger, chefe do Federal Bureau of Narcotics, conduziu campanhas midiáticas racistas, incluindo frases documentadas em jornais da época dizendo que a maconha faria 'negros acreditarem que são iguais aos brancos'. Esse discurso moldou a política pública e ajudou a consolidar a proibição. A gente aqui, na eterna colônia, só podia copiar essa merda!

 

5.     Interesses Econômicos na Proibição

 

O cânhamo era uma ameaça comercial a várias indústrias dos EUA, incluindo:

- Petróleo e plásticos sintéticos (Dupont)

- Papel e celulose

- Indústria têxtil

- Farmacêuticas

O cânhamo era barato, resistente e tinha potencial para substituir produtos industriais. Assim, o lobby econômico também pressionou pela proibição. Esta convergência entre racismo, xenofobia e interesses corporativos resultou no Marijuana Tax Act de 1937, que proibiu o cultivo e comércio nos EUA. Mesmo assim, fumar um, não pegava nada, a polícia não amolava, não existia violência policial contra isso, tá me entendendo?

 

 

6.     A Guerra às Drogas e o Aprofundamento da Perseguição

 

A partir dos anos 1970, com Richard Nixon, nasce oficialmente a 'Guerra às Drogas'. Décadas depois, assistentes do próprio presidente admitiram que o objetivo era atingir dois grupos politicamente incômodos: negros e militantes contrários à Guerra do Vietnã.

Como não podiam criminalizar diretamente esses grupos, associaram-nos às drogas. O resultado foi um boom de encarceramento, especialmente de pessoas negras e latinas, que se intensificou nos anos 1980 com Ronald Reagan. Fora que muitos traficantes, que vendiam para hippies — esses filhos de senadores e tal — começaram a se emancipar financeiramente, porque estava vendendo bastante, né, camarada? A dependência era tão grande que o dinheiro entrava suave no bolso desse grupo, majoritariamente de negros, hispânicos, marginalizados pelo estigma da droga, no entanto, eles possuíam a distribuição da mercadoria, uma coisa, realmente, que deixou os caras num nível Matuê. Pra família americana isso não podia ser tolerado. Foi guerra!

 

7.     Comércio de Drogas e Periferias: O Que É Verdade?

 

É fato que o comércio e consumo foram sendo culturalmente associados às periferias, a grupos negros e latinos. Mas isso não significa que esses grupos eram os únicos envolvidos. Significa que eram os únicos perseguidos.

Cocaína, no início do século XX, era elitizada e vendida em farmácias. Já o crack, surgido nos EUA como derivação barata da cocaína, afetou principalmente a população pobre. As penas para crack eram até 100 vezes maiores do que para cocaína, uma política comprovadamente racista que se espalhou pelo mundo.

 

8.     Resumo Geral

 

• O uso fumado da maconha veio da África, não da Europa.

• A criminalização no Brasil começa como ferramenta de controle de pessoas negras.

• Nos EUA, a proibição nasce de xenofobia, racismo e interesses empresariais.

• A Guerra às Drogas reforça políticas de encarceramento direcionadas a minorias.

• O proibicionismo não se fundamenta em ciência, mas em política, poder e desigualdade. • Você tem que parar de me criticar por eu chamar todo mundo de racista. É a verdade! • Em Fanon a brisa é tão GRANDE, que ele percebe que o próprio negro ficou sequelado com a cultura colonial. O negro sofre de uma neurose resultante da colonização. Mas aqui “neurose” é usada no sentido existencial e social, não como categoria clínica rígida, o sujeito é obrigado a ser outro para sobreviver, ele se torna estrangeiro de si mesmo.

 • Então, vai estudar de verdade e para de me encher o saco!

Referências e Fontes

 

- Carneiro, Henrique. Drogas e Cultura: História do Proibicionismo. Editora Autêntica.

- Ribeiro, Marcos. A História da Maconha no Brasil. Editora Jorge Zahar.

- UNODC – United Nations Office on Drugs and Crime.

- DEA e arquivos históricos do Federal Bureau of Narcotics.

- Relatórios da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia.

- Estudos da Fiocruz sobre políticas de drogas no Brasil.

- Biblioteca Nacional — Arquivo da Lei Municipal do Rio de Janeiro (1830).

 

Toda vez que tenho amnésia alcoólica e sei que vou tomar uma multa federal — porque sei que fiz alguma coisa errada — dessa vez, de novo, gritei por incríveis sete segundos no jardim, na entrada da bodega, em frente à janela do delegado e da delegada do prédio, antes das 0h, talvez, tenha inconscientemente pensado que isso seria relevante. Pessoal de família, gente católica, do bem — só que votam no PL, então já viu, não me perdoam mais, nenhum segundo da minha voz, porque eu mando se foder e isso vai ecoando dentro do hall, do apartamento, é uma revolta... Enfim, eu me arrependo da vida: não acho o pessoal legal assim, mas me acho muito burro, sofro, moralmente é uma humilhação, minha mesmo e meus pais, que me vigiam de longe, chegam com palavras que me desesperam. É muita grana pra dar desse jeito. É daí que faço reflexões profundas, pra não deixar o supereu acabar com o que resta da minha dignidade.

O texto abaixo é resultado de uma dessas reflexões. Tem caráter técnico — então, se você não manja de psicanálise, cai fora. Mas, se quer aprender um pouco, pode te ajudar. O Simbólico em Lacan é a linguagem do Outro. Você também tem ali o Inconsciente, mas não se armazena um arquivo de memória nele, isso daí é coisa orgânica. O inconsciente não é um depósito de lembranças, o que se arquiva é da ordem do orgânico, não do simbólico... Ele repete coisas Significantes. E a repetição é uma tentativa, frustrada, de encontro com o Real.


O significante pertence ao campo simbólico, (você vai perceber que tudo que a gente conhece é, na verdade, do Outro, com "o" maiúsculo) é o que estrutura a linguagem e, por ela, o sujeito (você)... Não é tão simples, mas você pode visualizar: a palavra c-a-s-a-m-e-n-t-o tem um som que só tem significado para nós, que falamos português. Mas, além desse significado, existe o Significante! Algo atrelado a essa palavra que se articula com o sujeito. Mesmo quando você entende racionalmente uma palavra, há algo além do entendimento que te toca, e essa parte, a que te fode, pertence ao inconsciente. Tem gente que acha essa palavra encantada: casar, enquanto outros tremem, ou ficam irritados com o modo significante que essa palavra ressoa na própria subjetividade.


Na verdade, a palavra não significa nada por si só. Quando você escuta um idioma estrangeiro que nunca ouviu antes, aquilo não tem o menor significado para você. Portanto, a estrutura da linguagem lhe é apresentada pelo Outro, pelo simbólico. Falam de você, de mim, da putaria toda, antes de a gente falar. Assim, você é capaz de entender que não era nada antes do Simbólico Outro, você não era a reencarnação do Dalai Lama, então, o inconsciente surge também a partir do entendimento da linguagem.


Mas o Imaginário só ganha articulação simbólica após o reconhecimento narcísico, quando a criança se reconhece no espelho e começa a se ver como ‘um eu’. Antes do Imaginário, há algo perdido do Real! Experiências sem forma, com os sentidos, não simbolizadas, que depois ganham imagem e essência na relação com o espelho. Veja, você se lembra quando percebeu que você era você mesmo no espelho? Pois é, essa porra aconteceu, você não se lembra, claro, mamava nas tetas da sua mãe, tava aprendendo a ficar sentado, durinho, colocando tudo na boca...


Olha, essa ideia que você tem de si, essa loucura: isso é uma construção regida pelo simbólico, mas também uma imagem que você cultua, aquilo que você crê que vai te completar como ser humano. Curioso, porque essa fantasia de completude é sustentada pelo simbólico, mas vivida no imaginário, você fica lá viajando achando que um dia vai ser feliz plenamente. Isso é falso! Você é feliz com uma gozada, não é sempre, você não pode ficar gozando o tempo todo, imagina! Se bem que o gozo da bailarina tá no pé. Difícil explicar o gozo lacaniano, porque a gente também goza, aparentemente, é se dando mal, fumando cigarro, tomando bronca, gente que gosta de dor, que gosta de tensão, isso é normal... O que você precisa, como as coisas na vida, é sofrer com toda a desgraça, ser pleno e feliz não é uma formação autentica da singularidade, é uma ilusão publicitária.


Na moral, nem sei se existe isso, autenticidade, acho que a gente é um mosaico de identificações. O resto tá no escuro!


Enfim, o ideal do eu, em Freud, está fortemente articulado ao Imaginário, embora seja formulado no registro simbólico. Agora brisa mesmo é aquela galera que fica se olhando no espelho se achando perfeita, isso é narcísico, infantil e uma porra de uma construção imaginária, mas se te faz bem, continue, todo mundo vai se foder por aqui, não tem jeito.


No Real, em Lacan, não há nada para lembrar. É um lugar impossível, apenas um traço, um furo, um buraco, uma falta de entendimento, na verdade, nem lugar é, não tem registro, não tem como simbolizar o REAL! (Isso é muito foda e muito óbvio) Mas ele é um filho duma puta que está sempre ali.


Um exemplo está na incapacidade de conseguir dizer tudo.


Sempre falta algo para dizer, mesmo que a ideia seja a de se expressar plenamente, entende? Você tem raiva do seu namorado e pretende dizer tudo pra ele. Você solta lá suas palavras, manda ele zarpar, bota a cabeça no travesseiro e pensa: faltou isso e aquilo e aquela coisa. Ou seja, não se chega a esse “tudo”, mas ele é real. Está no Real lacaniano. E a gente pode encontrar ele nas definições de Desamparo Absoluto e Princípio de Nirvana em Freud, bem mais sinistras do que esse exemplo romântico.


O que eu penso que sou é do campo Imaginário, mas como digo isso é, evidentemente, simbólico. São vários significantes, que só têm sentido porque sua mãe fala português e sua professora te ensinou a ler. Mas também porque cada um desses significantes foi te formando mediante outros significantes e, nisso, uma cadeia de comparações e repetições entre eles tá acontecendo.


Além de palavras, significantes, podem ser gestos, atos, olhares, toques, maneiras. O inconsciente é assinalado por isso, por essa cadeia de significantes que te pressionam o tempo todo. O inconsciente quer ser escutado, mas ele não pode ser lembrado assim. É preciso encontrá-lo na análise: no registro do sonho, registros dos atos falhos, das metonímias, do comportamento, das metáforas, dos deslocamentos, da condensação onírica. Fora desse lugar, o inconsciente não é nada! É apenas um caminho de significantes que te leva à repetição. Aquele mesmo, ali, que te conduz ao Real. O que eu não posso negar é que há algum registro de satisfação em mim, na hora que xingo geral de racista fdp. Li Fanon por causa disso... A referência dele me dá alguma certeza. Daí eu repito!

 
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