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A História da Maconha no Brasil: Origem, Uso Fumado, Proibição e Racismo Estrutural

  • Foto do escritor: Rodrigo Ramos
    Rodrigo Ramos
  • 10 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura


1.     A Chegada da Maconha ao Brasil

 

A maconha, especificamente o uso fumado da planta, chegou ao Brasil majoritariamente pela diáspora africana. Povos escravizados da África Ocidental, como angolanos e congoleses, já utilizavam a cannabis há séculos em contextos medicinais, rituais e recreativos. Ao serem traficados para o Brasil, trouxeram consigo este conhecimento e prática. Esse uso era geralmente realizado em cachimbos ou pequenas brasas.

Enquanto isso, da Europa vinha outro tipo de cannabis: o cânhamo industrial, cultivado pela Coroa Portuguesa para a produção de cordas, tecidos grossos e velas de navio. Ou seja, conviviam no Brasil duas formas distintas de uso: a fibra industrial europeia e o uso fumado africano. Então essa diferença é cristalina, o povo já sabia que o reggae ia dar bom! O colonizador só queria saber mesmo é de dominar, amarrar, matar e por aí vai...

 

2.     Por Que o Brasil Passou a Perseguir a Maconha?

 

A primeira lei conhecida no Brasil proibindo a maconha é de 1830, no Rio de Janeiro, sancionada pela Câmara Municipal. Ela dizia: “É proibido vender ou dar maconha aos escravos”.

Esta legislação demonstra claramente que o alvo era a população negra escravizada, e não a substância em si. O objetivo era controlar comportamentos e punir socialmente grupos já marginalizados. Assim, o estigma da maconha no Brasil nasce de uma raiz abertamente racista. Na verdade, a certidão de nascimento do Brasil é abertamente racista, é um país publicamente nocivo ao povo negro, 35% da população escravizada na África veio para cá. Não há parâmetros para dimensionar outros lugares do mundo tão, notavelmente, mortais ao negro quanto o nosso: o famoso NECROESTADO BRASILEIRO. Não! Isso não aconteceu no mundo todo, aconteceu aqui!

 

3.     Por Que a Maconha Virou 'Perigosa'?

 

A cannabis passou a ser associada, no imaginário social, a pessoas pobres, negras, marinheiros, trabalhadores braçais e comunidades quilombolas. Em contrapartida, quando a elite utilizava derivados da planta, geralmente em farmácias, como tinturas ou extratos, o uso era considerado medicinal e respeitável.

O estigma, portanto, não tinha relação com os efeitos da planta, mas com quem a utilizava. É muito simples entender isso! O que diziam? Isso daí é coisa de negrinho! A frase parece engraçada pra milico, mas ela é bastante simbólica.

 

4.     A Influência dos Estados Unidos no Proibicionismo

 

A política proibicionista moderna que depois se espalhou pelo mundo (incluindo o Brasil) nasceu nos Estados Unidos entre o final do século XIX e início do XX. O uso da cannabis era comum entre imigrantes mexicanos, que chamavam a planta de 'marijuana'. Campanhas xenofóbicas associavam esses imigrantes a criminalidade e violência, criando um pânico moral.

Henry Anslinger, chefe do Federal Bureau of Narcotics, conduziu campanhas midiáticas racistas, incluindo frases documentadas em jornais da época dizendo que a maconha faria 'negros acreditarem que são iguais aos brancos'. Esse discurso moldou a política pública e ajudou a consolidar a proibição. A gente aqui, na eterna colônia, só podia copiar essa merda!

 

5.     Interesses Econômicos na Proibição

 

O cânhamo era uma ameaça comercial a várias indústrias dos EUA, incluindo:

- Petróleo e plásticos sintéticos (Dupont)

- Papel e celulose

- Indústria têxtil

- Farmacêuticas

O cânhamo era barato, resistente e tinha potencial para substituir produtos industriais. Assim, o lobby econômico também pressionou pela proibição. Esta convergência entre racismo, xenofobia e interesses corporativos resultou no Marijuana Tax Act de 1937, que proibiu o cultivo e comércio nos EUA. Mesmo assim, fumar um, não pegava nada, a polícia não amolava, não existia violência policial contra isso, tá me entendendo?

 

 

6.     A Guerra às Drogas e o Aprofundamento da Perseguição

 

A partir dos anos 1970, com Richard Nixon, nasce oficialmente a 'Guerra às Drogas'. Décadas depois, assistentes do próprio presidente admitiram que o objetivo era atingir dois grupos politicamente incômodos: negros e militantes contrários à Guerra do Vietnã.

Como não podiam criminalizar diretamente esses grupos, associaram-nos às drogas. O resultado foi um boom de encarceramento, especialmente de pessoas negras e latinas, que se intensificou nos anos 1980 com Ronald Reagan. Fora que muitos traficantes, que vendiam para hippies — esses filhos de senadores e tal — começaram a se emancipar financeiramente, porque estava vendendo bastante, né, camarada? A dependência era tão grande que o dinheiro entrava suave no bolso desse grupo, majoritariamente de negros, hispânicos, marginalizados pelo estigma da droga, no entanto, eles possuíam a distribuição da mercadoria, uma coisa, realmente, que deixou os caras num nível Matuê. Pra família americana isso não podia ser tolerado. Foi guerra!

 

7.     Comércio de Drogas e Periferias: O Que É Verdade?

 

É fato que o comércio e consumo foram sendo culturalmente associados às periferias, a grupos negros e latinos. Mas isso não significa que esses grupos eram os únicos envolvidos. Significa que eram os únicos perseguidos.

Cocaína, no início do século XX, era elitizada e vendida em farmácias. Já o crack, surgido nos EUA como derivação barata da cocaína, afetou principalmente a população pobre. As penas para crack eram até 100 vezes maiores do que para cocaína, uma política comprovadamente racista que se espalhou pelo mundo.

 

8.     Resumo Geral

 

• O uso fumado da maconha veio da África, não da Europa.

• A criminalização no Brasil começa como ferramenta de controle de pessoas negras.

• Nos EUA, a proibição nasce de xenofobia, racismo e interesses empresariais.

• A Guerra às Drogas reforça políticas de encarceramento direcionadas a minorias.

• O proibicionismo não se fundamenta em ciência, mas em política, poder e desigualdade. • Você tem que parar de me criticar por eu chamar todo mundo de racista. É a verdade! • Em Fanon a brisa é tão GRANDE, que ele percebe que o próprio negro ficou sequelado com a cultura colonial. O negro sofre de uma neurose resultante da colonização. Mas aqui “neurose” é usada no sentido existencial e social, não como categoria clínica rígida, o sujeito é obrigado a ser outro para sobreviver, ele se torna estrangeiro de si mesmo.

 • Então, vai estudar de verdade e para de me encher o saco!

Referências e Fontes

 

- Carneiro, Henrique. Drogas e Cultura: História do Proibicionismo. Editora Autêntica.

- Ribeiro, Marcos. A História da Maconha no Brasil. Editora Jorge Zahar.

- UNODC – United Nations Office on Drugs and Crime.

- DEA e arquivos históricos do Federal Bureau of Narcotics.

- Relatórios da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia.

- Estudos da Fiocruz sobre políticas de drogas no Brasil.

- Biblioteca Nacional — Arquivo da Lei Municipal do Rio de Janeiro (1830).

 
 
 

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