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A VIDA SE CONSOME

  • Foto do escritor: Rodrigo Ramos
    Rodrigo Ramos
  • 19 de set.
  • 4 min de leitura
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Resolvi escrever para o LinkedIn um texto dizendo que eu sou pimpão e que a gente deve respirar, eu que fumo cigarro, escrevendo isso, que piada... A ideia era escrever um texto light para os empregadores não acharem que eu sou um extremista da pseudoesquerda, dizer que eu sei escrever no papel, uma coisa que eu não tô fazendo agora! Quem escreve no papel com lapiseira, com caneta, hoje em dia? Que loucura, isso não existe mais! Então, eu queria dizer que tenho um site onde coloco minha arte. Não deu certo, o site saiu do ar bem no dia do engajamento, a culpa não foi minha, a plataforma deu ruim. E eu tô rindo muito... Não consigo convencer essa galera de direita nem quando quero, perdi o tato, tá ligado? Eu simplesmente desprezo o pensamento dos caras, menos do Jay, um brother, eu o aturo e poxa, eu respeito o ser humano, né? Manter alguma empatia é o mínimo, afinal, eu ainda tenho alguma dignidade, exceto quando bebo muito vinho.

Trabalhar com pessoas de direita, no mundo corporativo, é quase que uma regra, CEO de qualquer coisa não costuma ser um sujeito contra o capitalismo, acham que o jogo tá bom! Que é isso aí que dá pra fazer! E o restante dos empregados pra lidar com essa situação, normalmente, vão pro evangelho, porque só recorrendo a Jesus mesmo! Daí é aquela lavagem cerebral danada, eu tenho medo de religião, o pessoal consegue ficar muito doido mesmo, sem usar droga nenhuma! Mas tem umas coisas que são bem bonitas, né? A cantoria gospel, a dança na umbanda, as roupas, a galera chorando, lindo se conectar com algo, eu preciso me conectar com algo além da internet, mas não tô conseguindo...

Nos últimos dias, tenho pensado muito naquela maldita escolha que eu fiz: eu poderia ter ficado lá no Zé, tomando um vinho firmeza, com a amiga mais firmeza ainda, linda, sossegado, sem nenhum tipo de problema, o maior problema foi a gente ter derramado vinho na mesa, o que não era um problema, porque era uma desculpa pra comprar mais vinho. Eu poderia, inclusive, ter deixado meu celular em casa, eu até queria fazer isso, mas fiquei com medo da amiga não me achar... Enfim, recebi um chamado e tomei a equivocada decisão de sair de onde eu estava e ir encontrar com a Pombagira, ela me avisou que estava um poço de ódio, tenho isso registrado, posso provar. Não me parecia tão ameaçadora naquele momento, mas mudou o rumo do meu navio. Pelo menos eu me desfiz dessa rota! O problema é que agora tenho certa fobia de pessoas.  

Voltando ao mundo corporativo, tem muita gente talentosa de esquerda nesses lugares, o pessoal mais progressista fica pianinho, não se manifesta muito sobre essas coisas, mas dá pra perceber porque a imagem não mente. Miguel diz que só tem gente de direita no mundo corporativo porque o pessoal reaça gosta de trabalhar! E a gente de esquerda é preguiçoso. Um argumento clássico! O cara tem que gostar muito de se foder, você pode pensar, mas na realidade, acho, o sentimento que se manifesta junto da frase é o de que há possibilidade de sucesso se você trabalhar duro. Cara, se você não é herdeiro, isso é uma puta ilusão pra manter a galera na fantasia, acontece com um ou outro, raro, pra esses chegarem na rede social dizendo que é possível, porque é, mas não vai acontecer com a gente, de ficar rico! Mas morra tentando, pra deixar herança e assim vai. Enfim, essa coisa é pra pouca gente, isso precisa ser fixado, não é como vestibular, é mais difícil, mano! O ser humano inventou a escrita pra deixar herança, pensa nisso! Outra coisa que precisa ser fixada é como o sistema (normalmente político e econômico) te mantêm dentro da fantasia, você não tem muita escolha, veja: não há nenhuma necessidade de, no mundo que a gente vive hoje, existir a miséria, ela simplesmente não precisa acontecer, entendeu cara? Ela não precisa de manutenção, ela pode acabar, tem recurso, memória coletiva, entende? Porque é muito comum a pessoa se estropiar, ela se afunda, isso vai acontecer pra sempre, mas no caso, a gente pode dar opções dignas, ou até, a gente pode tirar a pessoa dali, do buraco, daquela coisa indigna, dar opção, NÃO DEIXAR ELA MORRER DE FOME, LARGADA NA RUA, isso tem como, é possível fazer isso, a pessoa pode ter casa, o que vestir, ter o que comer, a extrema miséria no Brasil, essa extrema, sim, é um insulto... O sistema deixa a miséria acontecer porque você precisa ver o que pode acontecer com você nesse mundo. É bom que você tenha dinheiro e consiga comprar suas coisas queridos e queridas, a fantasia se mantém assim, você opta por continuar nesse sonho, porque é a melhor chance que você tem, é como sonhar com um bilhete de loteria, mas também serve de aviso pra você que pensa em sair da linha.

Essa é a chantagem, Bauman chamava essa conversa de Baixa-Colateral do Consumismo. Um mal necessário. Você pode pensar que é um incentivo, principalmente em nações como a nossa, grandonas. Diferente dos países nórdicos, europeus, diferente do Japão, sei lá, não posso falar muito sobre essas culturas, mas o que entendo é que são sociedades antigas, milenares, são sociedades avançadas, que sabem muita coisa das conquistas sociais, tanto que nóia europeu tem onde morar, o que comer, contenção de danos, o cara pode ficar doidão, mas num teto. Isso é avanço social camarada, o direito de se esborrachar em paz.


Daí tem o mundo e fora dele a Índia. Tenho três referências sobre ela, mas eu não manjo nada: um amigo de infância passou por lá, hoje ele é meu vizinho, ele insiste que aquele lugar fede a merda e que o pessoal é muito pobre. Uma ex-namorada foi lá também e me disse que o ambiente é de muito amor. Eu lia OSHO na minha adolescência, achava a coisa mais interessante da vida, essa mesma que se anseia, que consome a ela mesma... A vida se consome.  

 
 
 

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