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Image by Rhema Kallianpur

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  • Foto do escritor: Rodrigo Ramos
    Rodrigo Ramos
  • 17 de set.
  • 2 min de leitura

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Não existe nenhum conselho que eu possa te dar sobre empregabilidade, imagem, marca, que você já não tenha lido, escutado ou visto em algum outro lugar. É muito difícil ser original, e as pessoas originais de verdade, pelo que entendo, não são muito de redes sociais. Poucas pessoas vão mudar o mundo através de rede social. Não tô dizendo que é impossível... Talvez o dono da plataforma mude tudo. Mas a gente tem lado nessa coisa, e não é o lado do dono. A gente muda o que consegue mudar, que é a gente mesmo, eu acho.

Meu lado, por exemplo, é esse aqui: fico procurando trabalho quando tô desempregado, lutando pra me manter no emprego quando tenho um, tentando empreender quando posso. Às vezes acerto e, certamente, fracasso mais. Então não posso dar orientação sobre sucesso. Por outro lado, sou muito bom com editais, isso me salvou diversas vezes! Eu sei escrever sem GPT, tudo bem que não precisa mais fazer isso, escrever com caneta, letra bastão, só que é uma habilidade incrível. Eu leio, né? Ainda assim, não recomendaria nenhum livro pra você, porque nem eu sei como li algumas coisas. Veja: Alice Munro. Ela me apareceu por acaso, li uma vez e nunca mais. No entanto, mudou minha vida num conto de 14 páginas. Gosto dos romances do Chico Buarque, dos textos do Professor Clóvis... Olha aí, já indiquei algo. Não era essa a intenção.

Meu propósito é me manifestar aqui, igual o pessoal, e postar alguma coisa minha, autoral. Não sou um cara que fica botando conquistas na prateleira e posso ser progressista demais pra algumas pessoas. Pagar minhas contas já é o suficiente pra mim. Claro que adoraria levantar algum troféu realmente relevante, mas também não tenho nada pra mostrar nesse sentido a não ser um texto. Portanto, já me sinto lisonjeado se você leu até aqui! Mais de um minuto lendo uma coisa absolutamente trivial, você é uma pessoa muito resiliente! Parabéns e obrigado.

Meu conselho é o seguinte:

RESPIRE! Não deixe o mal-estar te dominar. Domestique isso, tenha foco, tenha muito foco. Você precisa saber o que quer conquistar. A posição de todo mundo nesse país colonial é delicada. Persista. Quando tudo passar e você estiver melhor, procure um cardiologista. Nossa galera aqui tá predisposta à hipertensão!

 
  • Foto do escritor: Rodrigo Ramos
    Rodrigo Ramos
  • 22 de ago.
  • 5 min de leitura
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Existem vários textos que fiz e não mostro, várias músicas que saíram de mim e eu não gravei, que eu esqueci, várias, a maioria sem dúvida nenhuma. Antes eu ganhava dinheiro escrevendo, era escritor fantasma, gosto disso, de ninguém saber onde estou. Escrevia sobre qualquer coisa, era só botar dinheiro no meu bolso que eu não queria saber de autoria, foda-se, porra nenhuma, era dinheiro que eu precisava, pra pagar conta, pra comer, pra tomar uma e esquecer do tema que eu tinha escrito. Eu já fui perito em Adicional Noturno, em Gestão de Pessoas, Gestão Fiscal, já escrevi livro sobre paleolítico, sobre Reforma Trabalhista, sobre Vargas, escrevia artigo pra academia só pra ganhar dinheiro, implorava para os Professores me liberarem a bolsa! Tinha um professor filho da puta, ele era tão cretino, que fazia a parada como se fosse uma entrevista de emprego, mandava a gente escrever uma carta dizendo pra ele o motivo pra ser escolhido e depois fazia uma entrevista, sabe pra quê? Pra gente escrever sobre bicicleta, sobre trem, já não me bastava ter que pegar o trem, o psicopata queria que a gente estudasse aquilo... Beleza, tá certo, alguém tem que estudar a mobilidade urbana, mas fazer uma seleção pra pessoa ganhar quinhentos dinheiros por mês pra escrever um artigo de 20 páginas, durava um ano a bolsa, enfim, era muita humilhação! Eu acho.

Bom, eu escrevia sobre qualquer coisa, lembro de escrever um artigo falando mal do Nikolas Ferreira, da Carla Zambelli, num texto sobre Marketing Político, numa época que o menino tinha 16 mil seguidores e a espanhola era uma obsessão fetichista da direita brasileira. Eu já achava esse pessoal muito louco. Lembro de um Professor, esse era bom mesmo! Titular da porra do curso, era o pirulitão da faculdade, ele disse assim: Bolsonaro, esse daí não ganha a eleição não! Ele é um outsider, as pessoas vão enxergar! Eu levantava a mão, passando mal, desesperadamente, eu dizia, mas meu Deus do céu Professor, o senhor não tá veno não? Ele tem muita chance! Alcance, notoriedade, palco. Esse negócio de falar mal dos PT tá na moda, galera não tá entendendo o que tá fazeno, PROFESSOR... Juro que eu disse! Queria dizer que saporra ia dar merda. E deu! Foram os piores anos da minha vida, eu fiquei mais doente do que eu sou, ma-lu-co, na pandemia eu sofria tanto, que chorava toda hora, ia lavar louça, chorava, ia buscar a ex-esposa NO TRABALHO (o chefe filho duma puta não deu Home Office pra ela a pandemia toda, só no primeiro mês), chorava, trocava o encanamento da pia, chorava, assistia jornal e via aquele alucinado na presidência, chorava... A melhor parte foi não precisar pegar o trem pra ir pra faculdade e ter aulas online, apesar de que, sentia muita falta dos colegas, da atmosfera da Universidade, eu fiz USP, daí era da hora pô, de graça, ir no C.A, pagar de pimposo, tocar violão, é uma coisa inexplicável, só vivendo mesmo, ver a cara daquela molecada boa, playboy ou não, na verdade, tinha de tudo, era só você escolher ali com quem queria andar... Então, ter aulas online era mais fácil! Peguei pra ler livros clássicos, coisa que eu acho que nunca mais vou fazer na minha vida, eu tava consciente de que ali era a minha chance, mas, no fundo, era deprimente e meu casamento estava acabando, porque eu sou um ser humano intragável, cheio de adicções e meu ego é um inferno, com duas taças de vinho eu me acho, foi preciso me foder muito pra mudar isso, foi me achando que a mina disse: pois é cara, acabou faz tempo! Ela me chamou de cara. Pô, cara! Te considero pacas, eu disse... Mentira, eu não disse isso, eu tive um frio na espinha que gelou minha vida por meses depois, no entanto, eu tava vivendo uma das melhores fases da minha vida, só não sabia, mas divorciar foi maravilhoso. Errado foi ficar tentando casar outra vez.   Romances são legais, eu devo admitir, mas pra pessoas como eu, eles sempre dão merda! Não é porque eu quero! Já tive que terminar relações por razões que renderiam um livro excelente, como o da novinha LINDA que acumulava DSTs sem saber! A outra gatíssima que recebia a pombagira de madrugada e tinha bafo de peixe, era horrível... A Suicide Girl que era realmente muito afortunada de beleza, mas eu não conseguia fazer um rolê com ela sem que ela beijasse alguma mina, ou seja, eu levava umas galhas e tinha que conter as confusões que ela arrumava. A mulher que era a de fé, cheirou pó colombiano, foi comigo pra festinha, me deixou lá sozinho e saiu de mão dada com outro cara, entrou no carro e tudo mais, depois disse que me amava, não deu pra continuar, né? A mina que me chamou de agressor depois de ser filmada me dando cabeçada, tapa na cara, caindo da escada e fazendo merda no condomínio! Porra, eu a achava mor legal...  Foda! A mina que não disse que era soropositivo, olha, tudo bem! Não tenho preconceito, sei que tem remédios pra pessoa ser indetectável e esse assunto é sério, a pessoa NÃO TE PASSA, preconceito tem que acabar, mas ela podia ter me contado, só que não, ela contou que me traiu e que eu era muito doido, terminei! Já chega de polêmicas, também tive pessoas maravilhosas que passaram por minha vida, uma inesquecível que terminou comigo dizendo que me amava, disse que foi muito bom, ela era gente boa, artista, Professora, aliás, fiz um som bem foda pra ela, que nunca gravei, enfim, ela teve uma intuição certeira, eu é que não tava entendendo direito o que eu era, o que eu sou.

Já percebeu que essa pergunta sempre acaba aparecendo na gente e em todo lugar e toda hora? Quem eu sou?  

Eu nunca tive certeza de quem eu sou, não desacredito nas pessoas que tem convicção, mas eu desconfio demais, porque saber quem é você não cabe a você, porque você não sabe de onde veio e pra onde vai, porque ninguém nunca soube e nunca saberá, você não é seu, vocé é da natureza. Essa é a nossa sina, então se alguém sabe o que é, parabéns, mas acredito que é uma construção egóica, no sentido de construir um EU, sabe? Tipo: eu sou assim porque me disseram que eu fiz isso e eu sinto uma coisa dentro do meu coração toda vez que eu vejo tal situação acontecendo, meu signo é de câncer, então eu sou um tremendo feladaputa, Shiryu meu filho, é o Mascara da Morte... Essas coisas, na moral, a gente não deve nem saber mesmo o que a gente é, isso é proibido, meu velho, minha camarada, tem muita coisa que a gente esquece de propósito que é pra não ter perigo de ferir a alma.

Acontece que eu não sou santo. E eu me envolvi com muita gente barra pesada, por consideração mesmo, por achar que podia. Ficou uma parada em mim por causa disso, tem trauma que a gente não esquece, ele fica lá, né? Por outro lado, deve ter muita gente que pensa isso de mim. Sei lá, tipo: me envolvi com aquele esquerdista, macho tóxico, que me desgraçou a mente! Ou então: Aquele fulaninho, neguin forgado, energia do mal. Adoro essas pessoas que falam de energia, acredito nelas... Faz sentido. A gente não é tudo que falam da gente, não mesmo, mas a gente também não é uma coisa, só porque tá autoafirmando que é.

 
  • Foto do escritor: Rodrigo Ramos
    Rodrigo Ramos
  • 28 de jul.
  • 2 min de leitura
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Um novo episódio da minha vida que tô pronto pra expor, porque sei que não terá tanta notoriedade quanto a mentira que contaram. Que eu faço cagadas homéricas no condomínio que moro não é novidade pra ninguém... Sinceramente, não são graves, na verdade, algumas são, sim, mas não é culpa minha, eu sou apenas um veículo do caos. No entanto, a coisa ganha formato demoníaco pela reincidência e daí já é mais complicado, aquela fita de que a gente repete o erro, sabe? Eu sou repetente.


Bom, dito isso, a quem quer que seja que esteja lendo isso, eu sou um sujeito trabalhador, um coitado que paga impostos e multas sucessivas, homem deboísta, pode crer, talvez, quando você for falar comigo não imagine que eu faça tanta merda, porque não parece, quem me vê imagina que eu tenha uma vida ilibada.


Eis que finalmente aconteceu outra coisa grave mesmo, não foi nenhuma ex minha destruindo as coisas do meu apartamento, ou ameaçando com a faca fazer sushi do próprio braço, não... Isso eu passei uma borracha, a gente sabe que dá pra perder as estribeiras com as coisas que eu digo e pela forma que digo, como se tivesse palitando os dentes, um deboche, que me causa prazer quando sinto que a pessoa tá virando do avesso, só por causa de algumas palavras ali, jogadas ao léu, um nada que se transforma... É aí que eu percebo como o ser humano está doente, eu me incluo, não à toa muitos filósofos, pensadores famosos, desses que são inteligentes mesmo, consideram esse século ridiculamente insignificante pra história da humanidade. Há um empobrecimento da vida psíquica, uma banalização da experiência, COMO SE O SOFRIMENTO NÃO PUDESSE EXISTIR, COMO SE ELE TIVESSE REMÉDIO.


Bom, voltando ao fato, falaram um monte de mim, mas apareceu a síndica na reunião do prédio, com informações bombásticas, falando do evento gravíssimo que me causou embaraço na vila. Ela disse que tinha guardado as gravações das câmeras de vigilância! Eu demorei pra convencê-la a me deixar ver! Obviamente ela guardou porque queria me foder muito fundo mesmo, achei que tinha mijado no jardim outra vez, mas não, ela disse assim: olha o tipo de gente que o Rodrigo traz para dentro do condomínio, um comportamento perigoso, é o limite, assim não dá! Pois é... Quando eu vi as filmagens, fiquei abismado, em primeiro lugar, porque eu não lembrava daquelas partes, mais de uma hora de gravação e eu não lembrava de um minuto, apesar de que algumas cenas eu não conseguiria saber mesmo, não tava nem vendo. E depois por perceber que a síndica me salvou de um julgamento moral, ela que me odeia, foi minha amiga, a gravação é cristalina... Mas no final teve uma parte que vale a pena contar: a menina tava tentando pular o portão, pra dentro! Ela queria pular pra dentro do prédio, mas a caralha tem uma cerca elétrica, depois de infernizar pra sair e de todo tumulto, ela foi subindo a grade e de repente acho que notou a porra da cerca - ficou balançando no ar, lentamente se segurando lá em cima, parecendo no Titanic, refletindo se valia a pena arriscar e tomar aquele choque na nuca. Jack decidiu não pular, mas, no final, morreu congelado mesmo assim.

 
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