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Image by Rhema Kallianpur

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  • Foto do escritor: Rodrigo Ramos
    Rodrigo Ramos
  • 7 de out. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 7 de out. de 2025

Um amigo se foi domingo agora. Anteontem... Velamos e fomos ao cerimonial em homenagem a ele. Nessa fase da vida já vivi diversos lutos, mas esse, em especial, tem me deixando muito pra baixo, é sempre assim, sei lá... Nunca consigo expressar direito o que acontece, mas o mano era animado, ele tinha um alto astral diferenciado, uma risada hilariante, chegava a constranger o objeto de bullying. E esse mano tirou a própria vida!


Mais outro que fez isso. Porque, recentemente, a gente passou por essa, um outro grupo de amigos, na verdade, nenhuma relação com esse de agora, mas, pra mim, é a mesma coisa. E eu me lembro como aquilo me deixou afetado por meses, acho que até agora e eu tava saindo dessa situação e aparece ela de novo.

E a atmosfera é a mesma, eu vivendo numa situação de provável apaixonamento, uma condição boa, até... Se apaixonar é bom, mas vai lá um amigo e se mata.

Freud tem aquela teoria da pulsão de morte, aquela que foi uma mina que falou primeiro, Barbara Low, o tal do Princípio de Nirvana, depois tem o Lacan que fala do Real, nesse apontamento do que é inexprimível, aquilo que não pode ser simbolizado, nem representado, aquilo que não é nada, mas que existe e volta e revolta.

Tenho meu interesse pessoal nesse assunto! Então, essa parada de interrupção da própria vida, tem em mim, um significado de curiosidade, pra entender mesmo e os lugares que eu cheguei pensando nisso, obviamente, não são muito legais e não é de bom tom expor aqui, mas, talvez, seja o único lugar pra me colocar!

Para Freud e Low, a ideia da pulsão de morte, Princípio de Nirvana, é ligada ao interesse da matéria orgânica a uma descarga completa de tensão, reduzir a tensão a nível zero, de não excitação, uma busca natural do ser pelo estado inorgânico, uma força da natureza no sentido da paz absoluta! Obviamente que o Nirvana aqui para os psicanalistas, não tem nada de iluminado, é uma aniquilação da excitação, provinda de algo biológico. O Real de Lacan pode ser lido como uma reinterpretação estrutural da ideia de Low, mas Lacan tira do terreno biológico e leva para o lugar da linguagem e da falta.

Eu, por exemplo, tomo multas no condomínio, eu sei que não devo acordar os vizinhos de madrugada no sabadão, isso é uma coisa que não pode acontecer, só que daí eu chapo com os coleguinhas, esqueço do que faço, de como cheguei, toco violão, mando todo mundo cagar, repito isso diversas vezes... Mas pra mim, é uma coisa impronunciável, não sei como acontece, não sei o que disse, não vi nada. É engraçado para os outros, mas não é bom para o meu bolso e eu tenho vergonha de ser uma coisa que eu não reconheço, não sei quem eu sou, admito.  

Minha vida é uma bela ilustração desse conceito complexo. Pra dizer pra você que, tá lendo essa pesquisa séria no campo psicanalítico, parece que todo mundo tem essa parada, essa Pulsão. Não é exclusividade de Freud, Nietzsche chamava isso de o Eterno Retorno, as coisas se complementam na história, dá pra entender que os autores encontram nos circuitos de repetição uma coisa que desafia a lógica do prazer e da razão. O que se repete, é o que não cessa de NÃO se escrever, diz Lacan, em seus seminários... Ele abre a ideia aqui de que a repetição não é só uma prisão, é também uma possibilidade de criação, se o sujeito se atravessar.

Você deve estar se perguntando: o que é se atravessar? O que precisa ficar claro é que pra Lacan o sujeito está sempre dividido, entre o que diz e o que deseja. Veja, sujeito não é personalidade, ou identidade social, é o efeito da linguagem, do que fala e do que é falado! O sujeito falador cria um vão, entre o que tá falando que é, vomitando aquele lenga-lenga, aquela convicção absoluta e o que ele é mesmo! Então, muito louco, os caras já estudaram isso! A fenda existe, porque a resenha do sujeito é muito diferente do que ele realmente deseja, ele nunca coincide com ele mesmo, porque algo dele fica fora do discurso, fica um buraco (tem horas que é melhor nem saber o que se quer) e isso fica nas trevas do inconsciente... Esse fantasma que se formula é um “roteiro” no meio disso, é um tapume, uma forma de se enganchar com o desejo, com o gozo, é uma forma de tentar tamponar a falta com algum objeto, pessoa, papel, ideal, pode variar bastante, por exemplo: eu vou ser feliz se for promovido na firma, vou estabilizar na vida se a menina casar comigo, essas coisas... Acontece que o furo, a falta estará sempre ali, o desejo vai continuar desejando, ele não acaba, esse entendimento na prática é difícil de chegar, essa é a travessia do Milton Nascimento, a gente precisa aceitar que esse processo é necessário, mas enganoso, considerando ainda o nosso fim inevitável, o que é foda. Entendeu?

Tenho um amigo artista, Arthur Doca, que explica melhor com muitas perguntas, ele diz: como ser feliz ao meio? Como a ponte cruzar? Como conseguir inteiro? Como se achar?


 
  • Foto do escritor: Rodrigo Ramos
    Rodrigo Ramos
  • 19 de set. de 2025
  • 4 min de leitura

Resolvi escrever para o LinkedIn um texto dizendo que eu sou pimpão e que a gente deve respirar, eu que fumo cigarro, escrevendo isso, que piada... A ideia era escrever um texto light para os empregadores não acharem que eu sou um extremista da pseudoesquerda, dizer que eu sei escrever no papel, uma coisa que eu não tô fazendo agora! Quem escreve no papel com lapiseira, com caneta, hoje em dia? Que loucura, isso não existe mais! Então, eu queria dizer que tenho um site onde coloco minha arte. Não deu certo, o site saiu do ar bem no dia do engajamento, a culpa não foi minha, a plataforma deu ruim. E eu tô rindo muito... Não consigo convencer essa galera de direita nem quando quero, perdi o tato, tá ligado? Eu simplesmente desprezo o pensamento dos caras, menos do Jay, um brother, eu o aturo e poxa, eu respeito o ser humano, né? Manter alguma empatia é o mínimo, afinal, eu ainda tenho alguma dignidade, exceto quando bebo muito vinho.

Trabalhar com pessoas de direita, no mundo corporativo, é quase que uma regra, CEO de qualquer coisa não costuma ser um sujeito contra o capitalismo, acham que o jogo tá bom! Que é isso aí que dá pra fazer! E o restante dos empregados pra lidar com essa situação, normalmente, vão pro evangelho, porque só recorrendo a Jesus mesmo! Daí é aquela lavagem cerebral danada, eu tenho medo de religião, o pessoal consegue ficar muito doido mesmo, sem usar droga nenhuma! Mas tem umas coisas que são bem bonitas, né? A cantoria gospel, a dança na umbanda, as roupas, a galera chorando, lindo se conectar com algo, eu preciso me conectar com algo além da internet, mas não tô conseguindo...

Nos últimos dias, tenho pensado muito naquela maldita escolha que eu fiz: eu poderia ter ficado lá no Zé, tomando um vinho firmeza, com a amiga mais firmeza ainda, linda, sossegado, sem nenhum tipo de problema, o maior problema foi a gente ter derramado vinho na mesa, o que não era um problema, porque era uma desculpa pra comprar mais vinho. Eu poderia, inclusive, ter deixado meu celular em casa, eu até queria fazer isso, mas fiquei com medo da amiga não me achar... Enfim, recebi um chamado e tomei a equivocada decisão de sair de onde eu estava e ir encontrar com a Pombagira, ela me avisou que estava um poço de ódio, tenho isso registrado, posso provar. Não me parecia tão ameaçadora naquele momento, mas mudou o rumo do meu navio. Pelo menos eu me desfiz dessa rota! O problema é que agora tenho certa fobia de pessoas.  

Voltando ao mundo corporativo, tem muita gente talentosa de esquerda nesses lugares, o pessoal mais progressista fica pianinho, não se manifesta muito sobre essas coisas, mas dá pra perceber porque a imagem não mente. Miguel diz que só tem gente de direita no mundo corporativo porque o pessoal reaça gosta de trabalhar! E a gente de esquerda é preguiçoso. Um argumento clássico! O cara tem que gostar muito de se foder, você pode pensar, mas na realidade, acho, o sentimento que se manifesta junto da frase é o de que há possibilidade de sucesso se você trabalhar duro. Cara, se você não é herdeiro, isso é uma puta ilusão pra manter a galera na fantasia, acontece com um ou outro, raro, pra esses chegarem na rede social dizendo que é possível, porque é, mas não vai acontecer com a gente, de ficar rico! Mas morra tentando, pra deixar herança e assim vai. Enfim, essa coisa é pra pouca gente, isso precisa ser fixado, não é como vestibular, é mais difícil, mano! O ser humano inventou a escrita pra deixar herança, pensa nisso! Outra coisa que precisa ser fixada é como o sistema (normalmente político e econômico) te mantêm dentro da fantasia, você não tem muita escolha, veja: não há nenhuma necessidade de, no mundo que a gente vive hoje, existir a miséria, ela simplesmente não precisa acontecer, entendeu cara? Ela não precisa de manutenção, ela pode acabar, tem recurso, memória coletiva, entende? Porque é muito comum a pessoa se estropiar, ela se afunda, isso vai acontecer pra sempre, mas no caso, a gente pode dar opções dignas, ou até, a gente pode tirar a pessoa dali, do buraco, daquela coisa indigna, dar opção, NÃO DEIXAR ELA MORRER DE FOME, LARGADA NA RUA, isso tem como, é possível fazer isso, a pessoa pode ter casa, o que vestir, ter o que comer, a extrema miséria no Brasil, essa extrema, sim, é um insulto... O sistema deixa a miséria acontecer porque você precisa ver o que pode acontecer com você nesse mundo. É bom que você tenha dinheiro e consiga comprar suas coisas queridos e queridas, a fantasia se mantém assim, você opta por continuar nesse sonho, porque é a melhor chance que você tem, é como sonhar com um bilhete de loteria, mas também serve de aviso pra você que pensa em sair da linha.

Essa é a chantagem, Bauman chamava essa conversa de Baixa-Colateral do Consumismo. Um mal necessário. Você pode pensar que é um incentivo, principalmente em nações como a nossa, grandonas. Diferente dos países nórdicos, europeus, diferente do Japão, sei lá, não posso falar muito sobre essas culturas, mas o que entendo é que são sociedades antigas, milenares, são sociedades avançadas, que sabem muita coisa das conquistas sociais, tanto que nóia europeu tem onde morar, o que comer, contenção de danos, o cara pode ficar doidão, mas num teto. Isso é avanço social camarada, o direito de se esborrachar em paz.


Daí tem o mundo e fora dele a Índia. Tenho três referências sobre ela, mas eu não manjo nada: um amigo de infância passou por lá, hoje ele é meu vizinho, ele insiste que aquele lugar fede a merda e que o pessoal é muito pobre. Uma ex-namorada foi lá também e me disse que o ambiente é de muito amor. Eu lia OSHO na minha adolescência, achava a coisa mais interessante da vida, essa mesma que se anseia, que consome a ela mesma... A vida se consome.  

 
  • Foto do escritor: Rodrigo Ramos
    Rodrigo Ramos
  • 17 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Não existe nenhum conselho que eu possa te dar sobre empregabilidade, imagem, marca, que você já não tenha lido, escutado ou visto em algum outro lugar. É muito difícil ser original, e as pessoas originais de verdade, pelo que entendo, não são muito de redes sociais. Poucas pessoas vão mudar o mundo através de rede social. Não tô dizendo que é impossível... Talvez o dono da plataforma mude tudo. Mas a gente tem lado nessa coisa, e não é o lado do dono. A gente muda o que consegue mudar, que é a gente mesmo, eu acho.

Meu lado, por exemplo, é esse aqui: fico procurando trabalho quando tô desempregado, lutando pra me manter no emprego quando tenho um, tentando empreender quando posso. Às vezes acerto e, certamente, fracasso mais. Então não posso dar orientação sobre sucesso. Por outro lado, sou muito bom com editais, isso me salvou diversas vezes! Eu sei escrever sem GPT, tudo bem que não precisa mais fazer isso, escrever com caneta, letra bastão, só que é uma habilidade incrível. Eu leio, né? Ainda assim, não recomendaria nenhum livro pra você, porque nem eu sei como li algumas coisas. Veja: Alice Munro. Ela me apareceu por acaso, li uma vez e nunca mais. No entanto, mudou minha vida num conto de 14 páginas. Gosto dos romances do Chico Buarque, dos textos do Professor Clóvis... Olha aí, já indiquei algo. Não era essa a intenção.

Meu propósito é me manifestar aqui, igual o pessoal, e postar alguma coisa minha, autoral. Não sou um cara que fica botando conquistas na prateleira e posso ser progressista demais pra algumas pessoas. Pagar minhas contas já é o suficiente pra mim. Claro que adoraria levantar algum troféu realmente relevante, mas também não tenho nada pra mostrar nesse sentido a não ser um texto. Portanto, já me sinto lisonjeado se você leu até aqui! Mais de um minuto lendo uma coisa absolutamente trivial, você é uma pessoa muito resiliente! Parabéns e obrigado.

Meu conselho é o seguinte:

RESPIRE! Não deixe o mal-estar te dominar. Domestique isso, tenha foco, tenha muito foco. Você precisa saber o que quer conquistar. A posição de todo mundo nesse país colonial é delicada. Persista. Quando tudo passar e você estiver melhor, procure um cardiologista. Nossa galera aqui tá predisposta à hipertensão!

 
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© 2026 RODRIGO RAMOS.

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