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  • Foto do escritor: Rodrigo Ramos
    Rodrigo Ramos
  • 22 de ago. de 2025
  • 5 min de leitura

Existem vários textos que fiz e não mostro, várias músicas que saíram de mim e eu não gravei, que eu esqueci, várias, a maioria sem dúvida nenhuma. Antes eu ganhava dinheiro escrevendo, era escritor fantasma, gosto disso, de ninguém saber onde estou. Escrevia sobre qualquer coisa, era só botar dinheiro no meu bolso que eu não queria saber de autoria, foda-se, porra nenhuma, era dinheiro que eu precisava, pra pagar conta, pra comer, pra tomar uma e esquecer do tema que eu tinha escrito. Eu já fui perito em Adicional Noturno, em Gestão de Pessoas, Gestão Fiscal, já escrevi livro sobre paleolítico, sobre Reforma Trabalhista, sobre Vargas, escrevia artigo pra academia só pra ganhar dinheiro, implorava para os Professores me liberarem a bolsa! Tinha um professor filho da puta, ele era tão cretino, que fazia a parada como se fosse uma entrevista de emprego, mandava a gente escrever uma carta dizendo pra ele o motivo pra ser escolhido e depois fazia uma entrevista, sabe pra quê? Pra gente escrever sobre bicicleta, sobre trem, já não me bastava ter que pegar o trem, o psicopata queria que a gente estudasse aquilo... Beleza, tá certo, alguém tem que estudar a mobilidade urbana, mas fazer uma seleção pra pessoa ganhar quinhentos dinheiros por mês pra escrever um artigo de 20 páginas, durava um ano a bolsa, enfim, era muita humilhação! Eu acho.

Bom, eu escrevia sobre qualquer coisa, lembro de escrever um artigo falando mal do Nikolas Ferreira, da Carla Zambelli, num texto sobre Marketing Político, numa época que o menino tinha 16 mil seguidores e a espanhola era uma obsessão fetichista da direita brasileira. Eu já achava esse pessoal muito louco. Lembro de um Professor, esse era bom mesmo! Titular da porra do curso, era o pirulitão da faculdade, ele disse assim: Bolsonaro, esse daí não ganha a eleição não! Ele é um outsider, as pessoas vão enxergar! Eu levantava a mão, passando mal, desesperadamente, eu dizia, mas meu Deus do céu Professor, o senhor não tá veno não? Ele tem muita chance! Alcance, notoriedade, palco. Esse negócio de falar mal dos PT tá na moda, galera não tá entendendo o que tá fazeno, PROFESSOR... Juro que eu disse! Queria dizer que saporra ia dar merda. E deu! Foram os piores anos da minha vida, eu fiquei mais doente do que eu sou, ma-lu-co, na pandemia eu sofria tanto, que chorava toda hora, ia lavar louça, chorava, ia buscar a ex-esposa NO TRABALHO (o chefe filho duma puta não deu Home Office pra ela a pandemia toda, só no primeiro mês), chorava, trocava o encanamento da pia, chorava, assistia jornal e via aquele alucinado na presidência, chorava... A melhor parte foi não precisar pegar o trem pra ir pra faculdade e ter aulas online, apesar de que, sentia muita falta dos colegas, da atmosfera da Universidade, eu fiz USP, daí era da hora pô, de graça, ir no C.A, pagar de pimposo, tocar violão, é uma coisa inexplicável, só vivendo mesmo, ver a cara daquela molecada boa, playboy ou não, na verdade, tinha de tudo, era só você escolher ali com quem queria andar... Então, ter aulas online era mais fácil! Peguei pra ler livros clássicos, coisa que eu acho que nunca mais vou fazer na minha vida, eu tava consciente de que ali era a minha chance, mas, no fundo, era deprimente e meu casamento estava acabando, porque eu sou um ser humano intragável, cheio de adicções e meu ego é um inferno, com duas taças de vinho eu me acho, foi preciso me foder muito pra mudar isso, foi me achando que a mina disse: pois é cara, acabou faz tempo! Ela me chamou de cara. Pô, cara! Te considero pacas, eu disse... Mentira, eu não disse isso, eu tive um frio na espinha que gelou minha vida por meses depois, no entanto, eu tava vivendo uma das melhores fases da minha vida, só não sabia, mas divorciar foi maravilhoso. Errado foi ficar tentando casar outra vez.   Romances são legais, eu devo admitir, mas pra pessoas como eu, eles sempre dão merda! Não é porque eu quero! Já tive que terminar relações por razões que renderiam um livro excelente, como o da novinha LINDA que acumulava DSTs sem saber! A outra gatíssima que recebia a pombagira de madrugada e tinha bafo de peixe, era horrível... A Suicide Girl que era realmente muito afortunada de beleza, mas eu não conseguia fazer um rolê com ela sem que ela beijasse alguma mina, ou seja, eu levava umas galhas e tinha que conter as confusões que ela arrumava. A mulher que era a de fé, cheirou pó colombiano, foi comigo pra festinha, me deixou lá sozinho e saiu de mão dada com outro cara, entrou no carro e tudo mais, depois disse que me amava, não deu pra continuar, né? A mina que me chamou de agressor depois de ser filmada me dando cabeçada, tapa na cara, caindo da escada e fazendo merda no condomínio! Porra, eu a achava mor legal...  Foda! A mina que não disse que era soropositivo, olha, tudo bem! Não tenho preconceito, sei que tem remédios pra pessoa ser indetectável e esse assunto é sério, a pessoa NÃO TE PASSA, preconceito tem que acabar, mas ela podia ter me contado, só que não, ela contou que me traiu e que eu era muito doido, terminei! Já chega de polêmicas, também tive pessoas maravilhosas que passaram por minha vida, uma inesquecível que terminou comigo dizendo que me amava, disse que foi muito bom, ela era gente boa, artista, Professora, aliás, fiz um som bem foda pra ela, que nunca gravei, enfim, ela teve uma intuição certeira, eu é que não tava entendendo direito o que eu era, o que eu sou.

Já percebeu que essa pergunta sempre acaba aparecendo na gente e em todo lugar e toda hora? Quem eu sou?  

Eu nunca tive certeza de quem eu sou, não desacredito nas pessoas que tem convicção, mas eu desconfio demais, porque saber quem é você não cabe a você, porque você não sabe de onde veio e pra onde vai, porque ninguém nunca soube e nunca saberá, você não é seu, vocé é da natureza. Essa é a nossa sina, então se alguém sabe o que é, parabéns, mas acredito que é uma construção egóica, no sentido de construir um EU, sabe? Tipo: eu sou assim porque me disseram que eu fiz isso e eu sinto uma coisa dentro do meu coração toda vez que eu vejo tal situação acontecendo, meu signo é de câncer, então eu sou um tremendo feladaputa, Shiryu meu filho, é o Mascara da Morte... Essas coisas, na moral, a gente não deve nem saber mesmo o que a gente é, isso é proibido, meu velho, minha camarada, tem muita coisa que a gente esquece de propósito que é pra não ter perigo de ferir a alma.

Acontece que eu não sou santo. E eu me envolvi com muita gente barra pesada, por consideração mesmo, por achar que podia. Ficou uma parada em mim por causa disso, tem trauma que a gente não esquece, ele fica lá, né? Por outro lado, deve ter muita gente que pensa isso de mim. Sei lá, tipo: me envolvi com aquele esquerdista, macho tóxico, que me desgraçou a mente! Ou então: Aquele fulaninho, neguin forgado, energia do mal. Adoro essas pessoas que falam de energia, acredito nelas... Faz sentido. A gente não é tudo que falam da gente, não mesmo, mas a gente também não é uma coisa, só porque tá autoafirmando que é.

 
  • Foto do escritor: Rodrigo Ramos
    Rodrigo Ramos
  • 28 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

Um novo episódio da minha vida que tô pronto pra expor, porque sei que não terá tanta notoriedade quanto a mentira que contaram. Que eu faço cagadas homéricas no condomínio que moro não é novidade pra ninguém... Sinceramente, não são graves, na verdade, algumas são, sim, mas não é culpa minha, eu sou apenas um veículo do caos. No entanto, a coisa ganha formato demoníaco pela reincidência e daí já é mais complicado, aquela fita de que a gente repete o erro, sabe? Eu sou repetente.


Bom, dito isso, a quem quer que seja que esteja lendo isso, eu sou um sujeito trabalhador, um coitado que paga impostos e multas sucessivas, homem deboísta, pode crer, talvez, quando você for falar comigo não imagine que eu faça tanta merda, porque não parece, quem me vê imagina que eu tenha uma vida ilibada.


Eis que finalmente aconteceu outra coisa grave mesmo, não foi nenhuma ex minha destruindo as coisas do meu apartamento, ou ameaçando com a faca fazer sushi do próprio braço, não... Isso eu passei uma borracha, a gente sabe que dá pra perder as estribeiras com as coisas que eu digo e pela forma que digo, como se tivesse palitando os dentes, um deboche, que me causa prazer quando sinto que a pessoa tá virando do avesso, só por causa de algumas palavras ali, jogadas ao léu, um nada que se transforma... É aí que eu percebo como o ser humano está doente, eu me incluo, não à toa muitos filósofos, pensadores famosos, desses que são inteligentes mesmo, consideram esse século ridiculamente insignificante pra história da humanidade. Há um empobrecimento da vida psíquica, uma banalização da experiência, COMO SE O SOFRIMENTO NÃO PUDESSE EXISTIR, COMO SE ELE TIVESSE REMÉDIO.


Bom, voltando ao fato, falaram um monte de mim, mas apareceu a síndica na reunião do prédio, com informações bombásticas, falando do evento gravíssimo que me causou embaraço na vila. Ela disse que tinha guardado as gravações das câmeras de vigilância! Eu demorei pra convencê-la a me deixar ver! Obviamente ela guardou porque queria me foder muito fundo mesmo, achei que tinha mijado no jardim outra vez, mas não, ela disse assim: olha o tipo de gente que o Rodrigo traz para dentro do condomínio, um comportamento perigoso, é o limite, assim não dá! Pois é... Quando eu vi as filmagens, fiquei abismado, em primeiro lugar, porque eu não lembrava daquelas partes, mais de uma hora de gravação e eu não lembrava de um minuto, apesar de que algumas cenas eu não conseguiria saber mesmo, não tava nem vendo. E depois por perceber que a síndica me salvou de um julgamento moral, ela que me odeia, foi minha amiga, a gravação é cristalina... Mas no final teve uma parte que vale a pena contar: a menina tava tentando pular o portão, pra dentro! Ela queria pular pra dentro do prédio, mas a caralha tem uma cerca elétrica, depois de infernizar pra sair e de todo tumulto, ela foi subindo a grade e de repente acho que notou a porra da cerca - ficou balançando no ar, lentamente se segurando lá em cima, parecendo no Titanic, refletindo se valia a pena arriscar e tomar aquele choque na nuca. Jack decidiu não pular, mas, no final, morreu congelado mesmo assim.

 
  • Foto do escritor: Rodrigo Ramos
    Rodrigo Ramos
  • 30 de jun. de 2025
  • 4 min de leitura

Se cuida pra você não pirar. Diz o amigo! Muita saúde, paz é o que o pessoal, gente boa, deseja pra você no dia do aniversário, saúde do corpo e da mente. Agora como faz isso, né? Tem jeito não, tem que fazer exercícios, comer vegetais, não tomar refrigerante, não usar drogas. Eu sou péssimo em seguir conselhos desse tipo, não entendo porque as coisas que fazem mal pra gente têm em abundância no mundo.

Não tô muito bom em raciocinar coisas fora da minha bolha. Só consigo pensar até ali, sabe? Não penso direito em coisas que não são essenciais pra minha vida. Por exemplo: eu tenho problema com sono, então tento me exercitar quando chego do trabalho, também pra não atrofiar sentado no sofá (cadeiras) e pra que meu cérebro não derreta na frente das telas, múltiplas telas que uso todos os dias. Enfim, penso em me cuidar nesse sentido, então isso tem importância, mas eu cheguei num ponto que preciso de algum fármaco para resolver meu problema insone, sou mais um que faz parte das estatísticas do mundo perverso e pós-moderno, chegando a, sei lá, que outra coisa: O Mundo Cansado, Atravessado, O Planeta Lama, A Sociedade Psicopolítica, A Necropolítica do Cotidiano, A Alienação Profunda, A Aceleração em Massa, O Esborrachamento Coletivo, A Boca Estourada, O Amor Mercantil... O meu tempo indo pro espaço e eu sem fazer nada, só pensando em ganhar dinheiro e contas e pague e nada mais importa, o que será que importa?

Dizem que é a família, eu tenho pouco contato com meus familiares, a gente se afastou muito com o tempo, então, no meu caso, fodeu, porque se o que importa é isso, eles são meus contatos virtuais. Tem gente que diz que o que importa é o amor, daí eu tô lascado, porque já desiludi muita gente com minha loucura, por menos, eu acabei fantasiando amores com gente que me fodeu na bagaceira toda e pensando em me desenganar, entrei em coisas cada vez piores, cavando e escavando buracos nas profundezas do inferno que é essa coisa chamada amor... Então não pode ser isso! Daí vem Jesus, Deus, Alá, essas coisas, Buda é legal, mas não tem nenhuma mulher nisso daí? Tem: Saraswati, gosto dela, uma vez eu pirei numa mulher com a camiseta dessa deusa, anos depois eu estava lá namorando ela, a mulher (uma semideusa, vai...) e, olhando pra trás, acho que foi minha relação mais tranquila! A gente não insistiu porque eu era absolutamente volúvel, inconstante nas minhas relações. Com Deus, no meu caso, funciona muito parecido... Fico me perguntando como que Deus pode ser um cara tão maluco a ponto de castigar a maior parte do planeta e deixar todo recurso na mão do Elon Musk, do Saverin, os caras têm mais dinheiro do que Portugal. Pô caras, não precisa, daí deixar um monte de gente passando fome aqui em Diadema, não preciso ir muito longe, Palestina é triste, trágico, choro, mas Diadema, meu amigo, também é, a cidade quando chove vira pura bosta. Fica o centro da cidade alagado e fedendo, imagina, é o centro! Quem dirá a periferia que cerca ela, ninguém sabe o que fazer, tá todo mundo perdido, gasta, portanto, com o que quer... Escolhe, né? Será que Deus faz isso? Escolhe quem ele quer ajudar e em qual momento? Porque tem hora que eu me sinto ungido, honrado pelos deuses e agradeço Maria, Oxalá, todo mundo! Obrigado meu Deus! Falo isso com alguma frequência, mais até do que pelo amor de Deus, essa última daí eu falei pra síndica do prédio que eu moro, quando as novas multas foram aplicadas, segundo o novo regulamento, feito por um advogado que paguei também, em rateio, as multas vieram em novo formato e de valores exponenciais, na verdade, vai dobrando cada vez que eu faço uma cagada e não precisa ser muita não, como não tinha antes e eu só aprontava, agora se eu arrotar na janela, eu pago com uma tira de coro. Penitências, gente, eu tô sofrendo com isso. O problema é que o pessoal não faz um pio, ninguém. Com exceção de uma casa, com idosos acamados, ao lado do prédio. Eita! Essa daí faz eu repensar nas coisas de Deus, eu espero mesmo que ele guarde por nós, tem hora que me dá medo, enfim, nessa casa de velhinhos e velhinhas, pode sair qualquer tipo de barulho. Fica a madrugada inteira uma senhora lá gritando pra valer! Foda!

Eu não sei como o pessoal não comenta. Temor a Deus, penso, é ele falando com a gente que a coisa pode ficar feia, meus amigos e amigas. Comportem-se!

Nessas horas eu lembro de Freud, apavorando a galera, ele lá com um câncer na boca, fumando loucamente, dizendo que Deus é uma espécie de fantasia infantil, simulando a proteção paterna, materna, enfim, algo criado para fugirmos do desamparo absoluto que nos provém, naturalmente... Se a gente for racionalizar, ninguém sabe, nunca soube e nunca saberá que porra é essa! Exceto se alienígenas esclarecidos venham contar alguma coisa diferente do que a gente já não sabe, a gente vai continuar não sabendo e vamos desaparecer do universo nessa. O bom é que essa coisa é real e tem alguns prazeres nela. Aproveitem! No momento eu prezo pela minha segurança, para que meus inimigos não queiram me morder pelos erros que cometi no passado, rezo pra não tomar multas devido a arrotos colossais e peço que Deus consiga me ajudar a conservar a saúde que me resta. Tenho alguma fé, em alguma coisa que não sei o que, que me faz seguir, não sei pra onde, porque tem coisa que vale a pena.

 
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